Aprendendo com as tempestades

Certa vez, Theodore Parker (1810-1860) descreveu uma tempestade no fim da primavera, que ocasionou a descoberta das minas de ouro na Índia:

“Estava tudo escuro, exceto onde o relâmpago cortava o céu. O vento sibilava e as águas caíam, diluviais. Que devastação! Mas não demorou muito, os relâmpagos cessaram, os raios silenciaram, a chuva parou, as nuvens se foram com o vento manso e apareceu o arco-íris. Então, durante várias semanas, os campos ficaram cobertos de flores e, por todo o verão, a grama esteve mais verde, os ribeiros mais cheios e as árvores mais frondosas tudo porque a tempestade havia passado por ali”.

Gosto muito desse texto porque mostra como uma terrível tempestade pode revelar as mais belas expressões da vida. Acho que as lutas que enfrentamos têm o mesmo efeito que as tempestades na natureza.

Embora muitas vezes o nosso céu pareça escuro e tenhamos a sensação de que o vento e a chuva estão fortes demais, a ponto de destruir tudo, é possível aquietar nossa alma e acreditar que toda a agitação e desordem vão passar. E o mais importante: depois da aparente devastação, virão as flores, a grama verde, os ribeiros mais cheios e as árvores mais frondosas. Há uma mensagem de renascimento nisso tudo.

Acho que podemos entender que, quando a tempestade nos atinge, significa que algo de novo virá em nossa vida. Por isso, não fique angustiado quando as coisas parecerem fora de controle. Se você quiser, Deus poderá coordenar você como faz com a natureza, deixando tudo mais belo, depois. A experiência, em vez de traumatizá-lo, pode servir para fortalecê-lo.

[Ana Paula Valadão Bessa]

“A vida humana é apenas uma gota existencial na perspectiva da eternidade.”

[Augusto Cury]

Seja

Triste, mas não amargo.
Introspectivo, mas não solitário.
Crítico, mas não azedo.
Cético, mas não cínico.
Complicado, mas não intolerável.
Sincero, mas não inconveniente.
Veemente, mas não agressivo.
Grave, mas não colérico.
Alegre, mas não leviano.

(Ricardo Gondim)

A Grandeza do Mar

Você sabe por quê o mar é tão grande, tão imenso e tão poderoso? É porque teve a humildade de colocar-se alguns centímetros abaixo de todos os rios. Sabendo receber, tornou-se grande. Se quisesse ser o primeiro; centímetros acima de todos os rios, não seria mar, mas sim uma ilha. Toda sua água iria para os outros e estaria isolado. A perda faz parte, a queda faz parte, a morte faz parte.

É impossível vivermos satisfatoriamente. Precisamos aprender a perder, a cair, a errar e a morrer.

Impossível andar sem saber cair, acertar sem saber errar e viver sem saber viver. Se aprender a perder, a cair e a errar, ninguém mais o controlará. Porque o máximo que poderá acontecer a você é cair, errar e perder. E isto você já sabe. Bem aventurado aquele que já consegue receber com a mesma naturalidade o ganho e a perda, o acerto e o erro, o triunfo e a queda, a vida e a morte.

[Paulo Gaefke]

Recomendações para se viver bem

1) Antes de tudo, observa tuas horas constantes de oração a Deus, diariamente. O homem piedoso é homem “separado” (Sl 4.3), não apenas porque Deus o separou por eleição, mas também porque ele mesmo se separa por devoção. Inicia o dia com Deus, visita-O pela manhã, antes de fazeres qualquer outra coisa. Lê as Escrituras, pois elas são, ao mesmo tempo, um espelho que mostra as tuas manchas e um lavatório onde podes branquear essas máculas. Adentra ao céu diariamente, em oração.

2) Coleciona bons livros em casa. Os livros de qualidade são como fontes que contêm a água da vida, com a qual poderás refrigerar-te. Quando descobrires um arrepio de frio em tua alma, lê esses livros, onde poderás ficar familiarizado com aquelas verdades que aquecem e afetam o coração.

3) Tem cuidado com as más companhias. Evita qualquer familiaridade desnecessária com os pecadores. Ninguém pode apanhar a saúde de outrem; mas pode-se apanhar doenças. E a doença do pecado é altamente transmissível. Visto não podermos melhorar os outros, ao menos tenhamos o cuidado de que eles não nos façam piores. Está escrito acerca do povo de Israel que “se mesclaram com as nações e lhes aprenderam as obras” (Sl 106.35). As más companhias são as redes de arrastão do diabo, com as quais arrasta milhões de pessoas para o inferno. Quantas famílias e quantas almas têm sido arruinadas pelas más companhias!

4) Cuidado com o que ouves. Existem certas pessoas que, com seus modos sutis, aprendem a arte de misturar o erro com a verdade e de oferecer veneno em uma taça de ouro. Nosso Salvador, Jesus Cristo, aconselhou-nos: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores” (Mt 7.15). Sê como aqueles bereanos que examinavam as Escrituras, para verificar se, de fato, as coisas eram como lhes foram anunciadas (At 17.11). Aos crentes é mister um ouvido discernidor e uma língua crítica, que possam distinguir entre a verdade e o erro e ver a diferença entre o banquete oferecido por Deus e o guisado colocado à sua frente pelo diabo.

5) Segue a sinceridade. Sê o que pareces ser. Não sejas como os remadores, que olham para um lado e remam para outro. Não olhes para o céu, com tua profissão de fé, para, então, remar em direção ao inferno, com tuas práticas. Não finjas ter o amor de Deus, ao mesmo tempo que amas o pecado. A piedade fingida é uma dupla iniqüidade. Que teu coração seja reto perante Deus. Quanto mais simples é o diamante, tanto mais precioso ele é; e quanto mais puro é o coração, maior é o valor que Deus dá à sua jóia. O salmista disse sobre Deus: “Eis que te comprazes na verdade no íntimo” (Sl 51.6).

6) Nunca te esqueças da prática do auto-exame. Estabelece um tribunal em tua própria alma. Tem receio tanto de uma santidade mascarada quanto de ires para um céu pintado. Julgas-te bom porque outros assim pensam de ti? Permite que a Palavra seja um ímã com o qual provarás o teu coração. Deixa que a Palavra seja um espelho, diante do qual poderás julgar a aparência de tua alma. Por falta de autocrítica, muitos vivem conhecidos pelos outros, mas morrem desconhecidos por si mesmos. “De noite indago o meu íntimo”, disse o salmista (Sl 77.6).

7) Mantém vigilância quanto à tua vida espiritual. O coração é um instrumento sutil, que gosta de sorver a vaidade; e, se não usarmos de cautela, atrai-nos, como uma isca, para o pecado. O crente precisa estar constantemente alerta. Nosso coração se assemelha a uma “pessoa suspeita”. Fica de olho nele, observa o teu coração continuamente, pois é um traidor em teu próprio peito. Todos os dias deves montar guarda e vigiar. Se dormires, aí está a oportunidade para as tentações diabólicas.

8] O povo de Deus deve reunir-se com freqüência. As pombas de Cristo devem andar unidas. Assim, um crente ajudará a aquecer ao outro. Um conselho pode efetuar tanto bem quanto uma pregação. “Então, os que temiam ao SENHOR falavam uns aos outros” (Ml 3.16). Quando um crente profere a palavra certa no tempo oportuno, derrama sobre o outro o óleo santo que faz brilhar com maior fulgor a lâmpada do mais fraco. Os biólogos já notaram que há certa simpatia entre as plantas. Algumas produzem melhor quando crescem perto de outras plantas. Semelhantemente, esta é a verdade no terreno espiritual. Os santos são como árvores de santidade. Medram melhor na piedade quando crescem juntos.

9) Que o teu coração seja elevado acima do mundo. “Pensai nas coisas lá do alto” (Cl 3.2). Podemos ver o reflexo da lua na superfície da água, mas ela mesma está acima, no firmamento. Assim também, ainda que o crente ande aqui em baixo, o seu coração deve estar fixado nas glórias do alto. Aqueles cujos corações se elevam acima das coisas deste mundo não ficam aprisionados com os vexames e desassossegos que outros experimentam, mas, antes, vivem plenos de alegria e de contentamento.

10) Consola-te com as promessas de Deus. As promessas são grandes suportes para a fé, que vive nas promessas do mesmo modo que o peixe que vive na água. As promessas de Deus são quais balsas flutuantes que nos impedem de afundar, quando entramos nas águas da aflição.

11) Não sejas ocioso, mas trabalha para ganhar o teu sustento. Estou certo de que o mesmo Deus que disse: “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar”, também disse: “Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra”. Deus jamais apoiou qualquer ociosidade. Paulo observou: “Estamos informados de que, entre vós, há pessoas que andam desordenadamente, não trabalhando; antes, se intrometem na vida alheia. A elas, porém, determinamos e exortamos, no Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando tranqüilamente, comam o seu próprio pão” (2 Ts 3.11-12).

12) Ajunta a primeira tábua da Lei à segunda, isto é, piedade para com Deus e eqüidade para com o próximo. O apóstolo Paulo reúne essas duas idéias, em um só versículo: “Vivamos, no presente século… justa e piedosamente” (Tt 2.12). A justiça se refere à moralidade; a piedade diz respeito à santidade. Alguns simulam ter fé, mas não têm obras; outros têm obras, mas não têm fé. Alguns se consideram zelosos de Deus, mas não são justos em seus tratos; outros são justos no que fazem, mas não têm a menor fagulha de zelo para com Deus.

13) Em teu andar perante os outros, une a inocência à prudência. “Sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas” (Mt 10.16). Devemos incluir a inocência em nossa sabedoria, pois doutro modo tal sabedoria não passará de astúcia; e precisamos incluir sabedoria em nossa inocência, pois do contrário nossa inocência será apenas fraqueza. Convém que sejamos tão inofensivos como as pombas, para que não causemos danos aos outros, e que tenhamos a prudência das serpentes, a fim de que os outros não abusem de nós nem nos manipulem.

14) Tenha mais medo do pecado que dos sofrimentos. Sob o sofrimento, a alma pode manter-se tranqüila. Porém, quando um homem peca voluntariamente, perde toda a sua paz. Aquele que comete um pecado para evitar o sofrimento, assemelha-se ao indivíduo que permite sua cabeça ser ferida, para evitar danos ao seu escudo e capacete.

15) Foge da idolatria. “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (1 Jo 5.21). A idolatria consiste numa imagem de ciúme que provoca a Deus. Guarda-te dos ídolos e tem cuidado com as superstições.

16) Não desprezes a piedade por estar sendo ela perseguida. Homens ímpios, quando instigados por Satanás, vituperam, maliciosamente, o caminho de Deus. A santidade é uma qualidade bela e gloriosa. Chegará o tempo quando os iníquos desejarão ver algo dessa santidade que agora desprezam, mas estarão tão removidos dela como agora estão longe de desejá-la.

17) Não dá valor ao pecado por estar atualmente na moda. Não julga o pecado como coisa apreciável, só porque a maioria segue tal caminho. Pensamos bem sobre uma praga, só porque ela se torna tão generalizada e atinge a tantos? “E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as” (Ef 5.11).

18] No que diz respeito à vida cristã, serve a Deus com todas as tuas forças. Deveríamos fazer por nosso Deus tudo quanto está no nosso alcance. Deveríamos servi-Lo com toda a nossa energia, posto que a sepultura está tão perto, e ali ninguém ora nem se arrepende. Nosso tempo é curto demais, pelo que também o nosso zelo de Deus deveria ser intenso. “Sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor” (Rm 12.11).

19) Faze aos outros todo o bem que puderes, enquanto tiveres vida. Labuta por ser útil às almas de teus semelhantes e por suprir as necessidades alheias. Jesus Cristo foi uma bênção pública no mundo. Ele saiu a fazer o bem. Muitos vivem de modo tão infrutífero, que, na verdade, suas vidas dificilmente são dignas de uma oração, como também seu falecimento quase não merece uma lágrima.

20) Medita todos os dias sobre a eternidade. Pois talvez seja questão de poucos dias ou de poucas horas - haveremos de embarcar através do oceano da eternidade. A eternidade é uma condição de desgraça eterna ou de felicidade eterna. A cada dia, passa algum tempo a refletir a respeito da eternidade. Os pensamentos profundos sobre a eterna condição da alma deveriam servir de meio capaz de promover a santidade. Em conclusão, não devemos superestimar os confortos deste mundo. As conveniências do mundo são muito agradáveis, mas também são passageiras e logo se dissipam. A idéia da eternidade deve ser o bastante para impedir-nos de ficar tristes em face das cruzes e sofrimentos neste mundo. A aflição pode ser prolongada, mas não eterna. Nossos sofrimentos neste mundo não podem ser comparados com nosso eterno peso de glória. Considerai o que vos tenho dito, e o Senhor vos dará entendimento acerca de tudo.

[Thomas Watson]

Aprendendo com as tulipas

Tulipa é a minha flor preferida. Sempre foi, e nem sei ao certo o porquê. Mas que amo é fato. Ontem, sem pretensões, comecei a divagar sobre uma que ganhei na floricultura essa semana.

A tulipa é uma flor ímpar. No Brasil ela é quase rara, sendo possível ver somente no inverno, e nos países do norte, na primavera. Para cultivá-la é preciso muito cuidado. Se exposta ao calor, ela definha. Ela é uma flor simples, sem exageros. Possui um caule reto, folhas simples e poucas pétalas. A beleza da tulipa se encontra justamente na impressionante simplicidade. Ao mesmo tempo, ela não floresce o ano todo, mas quando sua flor surge, ela gera impacto. A tulipa sabe a hora certa de aparecer e de hibernar. Não quer dizer que por ela não estar em evidência que ela não exista ou que esteja morta.

Ao mesmo tempo, ao contrário do que a natureza ensina há a necessidade de estar sempre em voga, imposta pela sociedade. É preciso estar em destaque todo o tempo, de fazer coisas extraordinárias, de romper com o convencional. Se não é novidade, pouco importa. Se não está fazendo algo, então se torna dispensável. Aí me lembro de João Batista e de suas incursões pelo deserto. Ele ficava dias contemplativo, em oração, refletindo, longe da sociedade israelita. De repente, ele aparecia e aí cumpria seu papel. Logo, suas palavras ganhavam público, então novamente ele se retirava. João Batista sabia a hora de sair de cena. Jesus também era adepto dos momentos fora dos holofotes. Frequentemente Ele se retirava. Aliás, até os 30 anos quase nada sabemos dEle. Ele se resguardou, até chegar a hora de aparecer. Até então Ele simplesmente esperou.

… Acho que é por isso que amo tanto as tulipas…

[Iana Coimbra, em seu Blog]

Grandeza de caráter

A cegueira perante uma emoção é a causa dos piores males. A grandeza de caráter não consiste em não experimentar emoções; pelo contrário, estas são de ter no mais alto grau. A questão é controlá-las e, ainda assim, havendo prazer em modelá-las, em função de algo mais.

(Friedrich Nietzsche)

Leia a Bíblia

“…Deus escolheu as cousas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as cousas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as cousas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus.”

{1 Coríntios 1:27-29}

*

“Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. [...] O homem natural não aceita as cousas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.”

{1 Coríntios 2: 9 e 14}

*

“Quem combate monstruosidades deve cuidar para que não se torne monstro.”

(Nietzsche)

Joana, a manca.

Por má sorte ou coisa do destino Joana nasceu manca. A menina de olhos vivos e bochechas rosadas passou a infância arrastando a perna sem conseguir correr ou fugir da pena refletida nos olhos das pessoas.

Na adolescência, além da perna, Joana arrastava seus sonhos como se seus passos desajeitados pudessem varrer seus desejos para debaixo de um tapete mágico: desejo de dançar uma valsa, desejo de ser beijada, desejo de ser desejada, desejo de despertar paixões e cair apaixonada. Mas Joana vivia isolada! Não queria o que lhe ofertavam: pena.

Enquanto as meninas da sua idade pintavam os lábios frescos como figo e perfumavam seus dias e cadernos de recordações com mil declarações, convites e cartões, Joana bordava pássaros em panos de prato.

Mas o tempo passou e as meninas da sua idade se transformaram em mulheres cheias de olheiras. Uma delas, Camile, se matou ao ver o grande amor partir. Catarine teve cinco filhos, engordou, foi traída e trocada pelo marido. Vitória ficou mal vista e mal falada.

No final todas acabaram como Joana: dignas de pena. Porque tanto Camile como Catarine e Vitória padeciam da mesma má sorte que Joana: o desejo de ser desejada.

Não foi a perna manca de Joana que a afastou da possibilidade do amor, mas o desejo de se ver refletida inteira, plena e perfeita, tal qual uma vitória régia boiando num lago, nos olhos de outrem.

As belas da tarde não eram mancas, mas não conseguiam caminhar depois de um “não”. E não conseguiam por falta de costume - já que a beleza é feita de infinitos sins - e porque um “não” as tornava mutiladas e fazia com que se sentissem como Joana, a manca.

O que elas não sabiam é que toda mulher tem um pouco de Joana …

Autoria: Mônica Montone, em seu Blog.

Eu sou eu, você é você.

“Eu sou eu.
Você é você.
Eu não estou neste mundo para satisfazer às suas expectativas.
Você não está neste mundo para satisfazer às minhas expectativas.
Eu faço as minhas coisas.
Você faz as suas.
E quando nos encontramos é muito bom.”

[Fritz Perls]

“O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.”

(Mário Quintana)

Honrando o outro

Viver junto pode ser um diálogo ou um duelo. Quando nossa vida de relacionamento é um duelo, o dia-a-dia é cheio de demandas, de ciúmes, de inveja, de lutas. No relacionamento tipo duelo, a postura é a de suplantar o outro, de vencê-lo, de mostrar sempre nossa superioridade. No duelo, as brigas não param nunca. E geram relacionamentos cansativos e tristes.

O relacionamento humano tipo diálogo é aquele que põe em prática a recomendação bíblica: “preferindo-vos em honra uns aos outros” (Romanos 12:10). O relacionamento diálogo é aquele em que o casal não compete um contra o outro. Em lugar da competição, cooperação. Em lugar da concorrência, ajuda mútua.

Quando existe amor bíblico no coração do casal, a preocupação de cada um é honrar o outro, é reconhecer no outro todas as suas qualidades. É, também, encorajar e apoiar a auto-expressão e a auto-realização do outro.

O amor em Cristo favorece e abençoa o diálogo, o reconhecimento mútuo, a cooperação visando ao bem do outro. O amor bíblico, enfim, é aquele que aprende a honrar o ser amado.

Autoria: Pr. Olavo Feijó

Tolerância

Devemos olhar com tolerância toda loucura, fracasso e vício dos outros, sabendo que encaramos apenas nossas próprias loucuras, fracassos e vícios. Pois eles são os fracassos da humanidade à qual também pertencemos e assim temos todos os mesmos fracassos em nós. Não devemos nos indignar com os outros por esses vícios apenas por não aparecerem em nós naquele momento.

{Arthur Schopenhauer}

Não se engane

A pior coisa que existe é você mentir para si mesmo. Você consegue enganar o mundo inteiro, mas nunca consegue se esconder de si próprio. E é engraçado como a gente tenta se enganar, usando artifícios sempre, e em tudo.

E você mastiga um chiclete ou come um salgadinho, pro seu estômago parar de roncar - mas ele continua agonizando, ou então toma um refri pra fissura passar - mas a sede continua lá, tímida. E nos momentos de dor, busca algo exterior que traga alívio imediato - encontra os amigos no bar ou na balada, viaja e se diverte, beija outras bocas e se perde em amores vãos – Assim, a dor aguda parece sumir - mas a alma continua em desespero.

Nada disso é suficiente.

A curto prazo funciona, mas depois você passa a ver o quanto tudo aquilo é artificial na sua vida e que aquele real vazio não foi preenchido pois fome se mata com comida, sede se mata mesmo é com água e o alívio profundo para a dor surge apenas quando nos rendemos nos braços de Deus.

[Monique Antunes]

Do sofrimento

Sofrer não deixa de ser uma maneira de sentir-se generoso, porque somente quando sofre o Homem é capaz de se soltar de si e mirar o outro.

Sofre-se, sempre, pelo o outro, para o outro, por causa do outro.

São muitos os miseráveis que escolhem sofrer para provar que amam. Sem saber eles estão dizendo quando choram piedade:

_ Olha, me desprendi de mim por você! Me abandonei por ti! Já não sou nada, além de um monte de lixo…

Ao contrário, existem os que sofrem porque não conseguem amar, nem abandonar o outro [mãe, pai, concha do mar, irmão, vidro vazio, amigo da onça, marido, esposa, rebentos, trabalho, isqueiros]. Quando isso acontece, os sofredores ausentam-se de si para que o outro viva em seu vazio, mesmo que seja sob forma de raiva, ódio, ou qualquer sentimento que valha.

São tantos os que usam o sofrimento como salmoura para suas culpas ancestrais!! Como se a palidez de mármore fosse torná-los dignos e merecedores do reino dos céus: a aprovação alheia.

Sofrer é uma escolha, como outra qualquer. O que todos queremos é amenizar a dor do tombo, a dor do absurdo que é existir e saber que as únicas coisas que existem realmente são aquelas que não podemos explicar.

Há os que bordam azuis, escrevem poemas, constroem pontes, ensinam o alfabeto, cantam tons secretos, trançam palhas e cabelos, plantam açucenas numa manhã de abril. E há os que sofrem.

A existência acontece naquilo que criamos. Daí, se não conseguimos construir pontes ou plantar açucenas, sofremos! Sofrer é, em última – ou primeira, quem pode saber?! - instância fazer a manutenção de uma existência que já não consegue criar a própria existência.

O sofrimento é como uma capa de chuva: usamos toda vez que o tempo turva apesar de saber que ficaremos ensopados do mesmo jeito.

Dor, desespero, desamparo, medo. Quem nunca foi tragado por essas emoções que se interne no primeiro manicômio! Quem alimenta essas donas dia e noite com rações super-poderosas do tipo “eu preciso que você me ame e preciso que você precise de mim” que corra para um divã mais próximo, porque como bem disse o poeta Drummond: a dor é inevitável, mas o sofrimento opcional.

E você, sofre por quê?

[Mônica Montone, em seu Blog]

Abra a Porta

A ciência, a Filosofia e a Psicologia sempre tentaram contestar a existência de Deus. Aos olhos de Deus a sabedoria do homem é loucura. É como um cachorro correndo atrás do próprio rabo.

Ele deve dar risada dessa gente que quer desvendar o espaço sideral e que investe tantos bilhões em tecnologia mas que até hoje não foi capaz de acabar com a fome, com a desigualdade e que não soube amar ao próximo dando a ele o mínimo de dignidade e respeito.

Sinceramente, podem provar o que quiserem contra a existência de Deus que mesmo assim eu vou continuar a acreditar nEle. Eu não o vejo, mas eu o sinto! E Ele é vital para mim como o ar e como a água. Os homens não entendem que o essencial é invisível aos olhos.

Você pode estudar um cérebro, mas nunca irá conhecer os pensamentos que ele teve, você pode estudar um corpo, mas nunca poderá tocar naquela alma. Você pode desvendar o espaço, mas nunca encontrará Deus!

E se você não acredita em Deus por achar que o mundo está violento, injusto e corrompido, está na hora de rever seus conceitos. Ele nos deu livre-arbítrio. E agora mesmo você pode raspar a sua cabeça ou se jogar de um precipício, você é responsável por suas atitudes e seus possíveis efeitos colaterais. Antes de culpar Deus pelo caos do mundo, pense no caos de sua vida.

Pense nos dias em que você ofendeu alguém, xingou seus pais ou brigou com o seu irmão. Pense nas pessoas que você usou, machucou, iludiu, pense nas lágrimas que você fez derramar dos olhos de alguém, na dor que você causou, no ódio ou inveja que você sentiu e em quantas vezes já se vingou.

Lembre-se das conseqüências catastróficas que você gerou. E comece a perceber que o mundo melhora se você melhorar, mas que é mais fácil colocar a culpa em Deus e deixar tudo como está.

Se você não fizer a sua parte, Ele também não fará a dEle.

Quando nosso coração está conectado em Deus, não precisamos nos preocupar na maneira como ele irá se comunicar conosco pois Ele se manifesta no oculto de nossas almas. E assim somos capazes de ver uma flor brotar em meio ao concreto, somos capazes então de valorizar as virtudes e controlar os impulsos. Preferimos ter paz do que ter razão para poder ter o prazer de ver reinar um fio de paz num mundo tão duro e cruel. Nosso deleite é perdoar, é amar e exercitar tudo isso nos momentos mais adversos.

Agora mais do que nunca sei que a felicidade é a constância de bons sentimentos e que todos nós temos um vazio do tamanho de Deus. Mas se não reconhecermos isso o quanto antes, passaremos a vida inteira a tentar preencher este imenso vazio com ilusões e falsos prazeres. Depositaremos nosso tempo, esperanças e esforços em coisas passageiras e no fim não encontraremos um alívio, não estaremos satisfeitos.

Deus nos formou e nos criou. Mas muitas vezes não o deixamos entrar em nossos corações. Fechamos a porta “na cara” dEle. Agimos como um segurança que não deixa adentrar no edifício o próprio pedreiro que o construiu.

[Monique Antunes]

Um homem é mais homem pelas coisas que silencia do que pelas que diz. Vou silenciar muitas. Sabendo que não há causas vitoriosas, gosto das causas perdidas: elas exigem uma alma inteira, tanto na derrota quanto nas vitórias passageiras. Criar é viver duas vezes… Todos tentam imitar, repetir e recriar sua própria realidade. Sempre acabamos adquirindo o rosto das nossas verdades.

[Albert Camus]

Quantas vezes eu assassinei o amor?

O amor nunca morre de morte natural. Añais Nin estava certa.

Morre porque o matamos ou o deixamos morrer.

Morre envenenado pela angústia. Morre enforcado pelo abraço. Morre esfaqueado pelas costas. Morre eletrocutado pela sinceridade. Morre atropelado pela grosseria. Morre sufocado pela desavença.

Mortes patéticas, cruéis, sem obituário e missa de sétimo dia.

Mortes sem sangramento. Lavadas. Com os ossos e as lembranças deslocados.

O amor não morre de velhice, em paz com a cama e com a fortuna dos dedos.

Morre com um beijo dado sem ênfase. Um dia morno. Uma indiferença. Uma conversa surda. Morre porque queremos que morra. Decidimos que ele está morto. Facilitamos seu estremecimento.

O amor não poderia morrer, ele não tem fim. Nós que criamos a despedida por não suportar sua longevidade. Por invejar que ele seja maior do que a nossa vida.

O fim do amor não será suicídio. O amor é sempre homicídio. A boca estará estranhamente carregada.

Repassei os olhos pelos meus namoros e casamentos. Permiti que o amor morresse. Eu o vi indo para o mar de noite e não socorri. Eu vi que ele poderia escorregar dos andares da memória e não apressei o corrimão. Não avisei o amor no primeiro sinal de fraqueza. No primeiro acidente. Aceitei que desmoronasse, não levantei as ruínas sobre o passado. Fui orgulhoso e não me arrependi. Meu orgulho não salvou ninguém. O orgulho não salva, o orgulho coleciona mortos.

No mínimo, merecia ser incriminado por omissão.

Mas talvez eu tenha matado meus amores. Seja um serial killer. Perigoso, silencioso, como todos os amantes, com aparência inofensiva de balconista. Fiz da dor uma alegria quando não restava alegria.

Mato; não confesso e repito os rituais. Escondo o corpo dela em meu próprio corpo. Durmo suando frio e disfarço que foi um pesadelo. Desfaço as pistas e suspeitas assim que termino o relacionamento. Queimo o que fui. E recomeço, com a certeza de que não houve testemunhas.

Mato porque não tolero o contraponto. A divergência. Mato porque ela conheceu meu lado escuro e estou envergonhado. Mato e mudo de personalidade, ao invés de conviver com minhas personalidades inacabadas e falhas.

Mato porque aguardava o elogio e recebia de volta a verdade.

O amor é perigoso para quem não resolveu seus problemas. O amor delata, o amor incomoda, o amor ofende, fala as coisas mais extraordinárias sem recuar. O amor é a boca suja. O amor repetirá na cozinha o que foi contado em segredo no quarto. O amor vai abrir o assoalho, o porão proibido, fazer faxina em sua casa. Colocar fora o que precisava, reintegrar ao armário o que temia rever.

O amor é sempre assassinado. Para confiarmos a nossa vida para outra pessoa, devemos saber o que fizemos antes com ela.

[Fabrício Carpinejar, em seu blog]

Metade

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio…

Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que o homem que eu amo seja pra sempre amado
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade…

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A uma mulher inundada de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo…

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão…

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesma
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei…

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço…

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção…

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade… também.

{Oswaldo Montenegro}

“É melhor tentar e falhar,
que preocupar-se e ver a vida passar;
é melhor tentar, ainda que em vão,
que sentar-se fazendo nada até o final.
Eu prefiro na chuva caminhar,
que em dias tristes em casa me esconder.
Prefiro ser feliz, embora louco,
que em conformidade viver …”

[Martin Luther King]

Para onde você corre?

Um rabino perguntou a um proeminente membro de sua congregação: “Toda vez que eu o vejo, você está com pressa. Diga-me, por favor, para onde você corre sempre e tanto?” O homem respondeu: “Corro atrás do sucesso, da minha realização. Corro atrás da recompensa por meu duro trabalho”. O rabino replicou: “Seria uma boa resposta se todas estas bênçãos estivessem à sua frente, tentando escapar-lhe. Se correr o suficiente, você poderá alcançá-las. Mas pode ser que as bênçãos estejam atrás de você, procurando por você, e que quanto mais correr, mais dificilmente elas o alcançarão”.

Não poderia suceder que Deus tivesse presentes maravilhosos de todos os tipos, reservados para nós – boa comida, belo pôr-do-sol, flores que nascem na primavera e folhas que caem no outono e momentos tranqüilos de comunhão entre seres humanos – mas que nós, perseguindo a felicidade, estivéssemos correndo tanto, impedindo-O de nos encontrar?

[Harold Kushner]

Muito além do Segredo

Atualmente, a “Lei da Atração” tem sido o assunto preferido de muita gente. Segundo esta lei, apresentada no best-seller e documentário O Segredo, você pode obter quase tudo o que deseja se treinar sua mente para enviar pensamentos positivos que permitirão a realização de seus sonhos.

Trata-se de uma crença transformadora que foi descoberta e redescoberta várias vezes na história. Rhonda Byrne, a autora do best-seller O Segredo, e sua equipe de colaboradores, fizeram um trabalho brilhante ao reunir fragmentos da grande lei que foram escamoteados em tradições orais, nas religiões, na literatura e filosofias ao longo do tempo. Todavia, há mais a ser dito do que este recente best-seller revelou…

Os nossos pensamentos desempenham um papel realmente muito importante na “lei da atração”. Nossas mentes não são apenas zonas de armazenamento passivas, forçadas a pensar em qualquer coisa que explode dentro delas. Somos capazes de escolher o que pensamos e devemos lutar arduamente, vestindo “toda a armadura de Deus” para este propósito. Paulo escreveu: “…tudo o que for verdadeiro, nobre, correto, tudo o que for puro, amável, de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas.” {Filipenses 4:8}

Quando nos concentramos muito no que não queremos, isto forma um padrão de acontecimentos ruins; o que não queremos tende a se repetir. Para viver novas experiências, é preciso mudar o foco, pensar diferente!

O funcionamento da lei da atração pode ser exemplificado da seguinte maneira:

Nós somos como o fazendeiro que busca tomar o máximo partido das leis da natureza para suas boas colheitas. Um fazendeiro que deseja que a terra lhe dê milho deve aprender a cooperar com a natureza para consegui-lo. A natureza não seleciona o tipo de colheita, mas espera que o fazendeiro decida. O fazendeiro pode realmente “predizer o futuro” de um campo, ao escolher o tipo de “semente” a ser plantada nele. Para “atrair” milho, o fazendeiro planta sementes de milho.

A lei da atração é uma reafirmação da lei da semeadura e da colheita: você colhe o que você planta. Esta lei não julga se você é ou não merecedor do que “colhe”, ela apenas trabalha com o que você semeia. A lei da atração é uma lei da graça comum, aquela que é derramada sobre todas as pessoas, em todos os lugares, assim como a terra, as estações, a chuva, o nascer do sol, etc. A boa nova é que há ainda mais: Deus tem a graça redentora. Nessa graça podemos encontrar Deus de uma maneira mais direta, podemos experimentar Sua presença, Seu perdão e os frutos do Espírito Santo. Nós conquistamos acesso às Suas promessas e compartilhamos Sua vida eterna. Isso supera o carro novo, a promoção no emprego…

Para descobrir a graça redentora, é necessário reconhecer que Deus é a fonte da graça comum. A graça redentora é a “graça comum anabolizada”!

Um erro cometido em O Segredo foi o de colocar a lei da atração excessivamente atrelada à idéia do poder e do controle individuais, como se a lei da atração funcionasse num vácuo e não existissem outras forças em movimento. Afirmar que nós atraímos tudo o que nos acontece, até as coisas ruins, como acidentes de carro [embora isso seja verdade em alguns casos], é uma simplificação exagerada da realidade.

É perigoso pensar que os nossos desejos são o centro do universo e que o universo é o nosso Gênio que existe somente para realizar todos os nossos desejos!

Em seu livro, Rhonda Byrne nos estimula o tempo todo a fazer apenas o que amamos fazer, evitando o que não amamos. E isso é perigoso. É preciso lembrar que boa parte do que é bom só pode ser desfrutado depois de um “passeio pela terra das dificuldades”. Antes de evitar algo que nos faz sentir mal, precisamos ponderar se isso não é, na verdade, bom. O fato de sentir-se mal pelo que você faz não é critério para a sua desistência. Se assim fosse, por que você deveria fazer qualquer coisa difícil? Por que levantar da cama e ir trabalhar? Por que estudar para a escola se eu posso apenas “sentir” coisas boas e imaginar uma série de notas 10 em minhas provas?

Há forças maiores que a Lei da Atração. Esta lei não é soberana e os nossos pensamentos e sentimentos não são as únicas forças em jogo.

Por exemplo, cada fazendeiro se prepara para a época do plantio tendo confiança na lei da semeadura e da colheita. Mas, e se houver uma seca ou um furacão, ou uma geada nesta época? As safras vão quebrar! Nem por isso o fazendeiro concluiria que a lei da semeadura e da colheita não funciona mais, mas reconheceria que outras forças surgiram e a superaram.

Não defendo a idéia de que nosso propósito na vida seja correr atrás de fortuna, saúde e fama como prioridades absolutas. Defender isto significa acreditar na crença de que Ter mais é sinônimo de Ser mais. Ter tudo o que se deseja é sinônimo de ter uma vida pequena. Uma vida vivida para ter mais é uma vida desperdiçada.

“O Segredo” enfatiza muito a satisfação pessoal e esquece de encorajar as pessoas a utilizar a lei da atração para aspirações maiores [fins altruístas], não apenas as individuais direcionadas aos nossos próprios interesses.

A lei da atração, anunciada em “O Segredo”, acaba se tornando um perigo obscuro quando é utilizada somente para suprir carências, cobiças e desejos individuais, em vez de algo direcionado para além de si mesmo. É preciso desafiar esse tipo de vida autocentrada e hedonista, e lembrar que somos parte de algo muito maior que nós mesmos. A base da nossa felicidade não deve estar em leis, mas precisa estar firmada e enraizada em uma Pessoa maior que nós, Jesus Cristo – a Fonte de águas vivas.

[Kaya Barros - www.livre-essencia.blogspot.com]

Da arte de ser bom

Sê bom. Mas ao coração
Prudência e cautela ajunta.
Quem todo de mel se unta,
Os ursos o lamberão.

[Mario Quintana – Espelhos Mágicos]

Da amarga sabedoria

Conhecer a si mesmo e aos outros…
Ver o mal com mais clareza…
Ó triste e doloroso dom!
E sofrer mais que todos no final,
Sem o consolo de ter sido bom.

[Mario Quintana – Espelhos Mágicos]

Do espetáculo de si mesmo

Conhecer a si mesmo é inútil, parece,
Mas sempre diverte um pouco…
Coisa assim como um louco que tivesse
Consciência de que é louco.

[Mario Quintana – Espelhos Mágicos]

Cantando desde a eternidade…

Sob a sombra de Suas asas
Descansando em Sua presença
É onde quero cantar a canção do Seu coração.

Liberdade irá gerar em meio a Sua salvação,
Ao seu lado achegarei e lá habitarei,
cantando desde a eternidade.

Não há lugar onde eu prefiro estar,
Não há nada que eu prefiro fazer,
Não há face que eu prefiro ver,
Além da Sua Senhor…

…ao seu lado achegarei e lá habitarei,
cantando desde a eternidade…

[David Quinlan]

A gente acaba aprendendo

A gente não devia, mas acaba aprendendo. A vida é dura; os dias, maus; a convivência com os outros, complicada; por isso, nos especializamos na arte de enganar.

A gente acaba aprendendo a disfarçar as angústias mais profundas. Bastam algumas sessões fotográficas para o desenho da boca não denunciar qualquer dor e os olhos deixarem de ser janelas da alma. Cumprimentamos polidamente; mudamos de assunto (vai chover hoje?); olhamos em outra direção. Qualquer movimento serve, desde que nunca se evidenciem nossas fragilidades, nossos medos, nossas ansiedades.

A gente acaba aprendendo a empurrar com a barriga, a não se afobar, a adiar, a procrastinar. Não nos inquietamos com o disperder da vida; somos azes em projetar para o além o dever de existir hoje. Complacentes, esquecemos de querer bem, de cuidar do próximo, de fazer diferença.

A gente acaba aprendendo a não balançar o barco. Não é difícil perceber o tipo de conversa que as pessoas querem; se for triviliadade, esse será o papo; se querem ser enganadas, oferecemos ilusões. Ensinaram-nos que “é melhor um covarde vivo, do que um herói morto”. Assim, criativos, reciclamos os chavões do senso comum e ficamos “numa boa com a galera”. “Deixa quieto”, repetimos para nós mesmos e preservamos nossa reputação, garantimos nosso salário; e ninguém vai se magoar com a nossa vidinha.

A gente acaba aprendendo a arte do bom-mocismo; cedo nos especializamos em bajular o professor, a enrolar a namorada, a tapear o patrão, a arranjar desculpas para os atrasos. Depois, tudo fica fácil: fazemos orações aos berros e impressionamos com nossa “ousadia de desafiar Deus”; aprendemos a eleger uns poucos mandamentos que nos parecem bem fáceis e intimidamos nossos adversários com uma auréola de “santidade”; dramatizamos com uma cara de humilde e emplacamos como os únicos herdeiros do Reino de Deus.

A gente acaba aprendendo a ser altruísta quando for vantajoso; a perdoar como uma vingança; a mostrar paciência para usufruir da “lei da semeadura e da ceifa”; a abrir mão dos direitos, porque existem promessas de que Deus abençoa os mansos.

A gente acaba aprendendo a usar máscara, a trocar de fantasia, a mimetizar os ambientes, a vestir saco e cilícios. Personificamos qualquer personagem. Quando necessário, encenamos bardos, parnasianos, românticos, pierrôs, anedotistas, vestais, místicos. E que ninguém nos acuse de cousa alguma, pois somos os mais probos, os mais cândidos, os mais angélicos.

E assim, de decoro em decoro, de incorruptibilidade em incorruptibilidade, de sobriedade em sobriedade, tornamo-nos sepulcros caiados, guias cegos, serpentes, raça de víboras; enfim, fariseus hipócritas.

Acho que chegou a hora de desaprender.

[Ricardo Gondim]

Juventude

Agora que já estou bem velhinha vou aproveitar para fazer tudo aquilo que sempre quis!

Vou aproveitar este tempo que me resta e fazer tudo o que sempre tive vontade. Dedicarei minha vida à tudo o que mais amo. Passarei a maior parte do meu tempo escrevendo, pintando e costurando, sem culpa! Também poderei fazer aquela faculdade que tanto sonhei e me aprofundar em todos os estudos que nunca se encaixariam nesse capitalismo selvagem.

Terei tempo suficiente para fazer ginástica, plantar flores, cuidar dos meus bichinhos e desenvolver todas as habilidades que aqueles tempos tão corridos me privaram.

As rugas já fincaram seu lugar cativo em minha pele, não tenho mais para onde fugir. Não dá mais pra esconder, agora sou livre e posso ir a todos os lugares sem me preocupar, sem me sentir julgada… afinal, quem liga para uma velha cheia de rugas?

Quando jovem, eu vivia como se fosse viver para sempre! Não parava para pensar na fragilidade da vida. O tempo para mim era sempre muito farto e abundante, eu nem o via passar. Como mortal cheia de medos, aterrorizava-me de tudo, mas desejava tudo como se fosse imortal.

Queria chegar aos cinqüenta para refugiar-me na natureza e aos sessenta desejava estar livre dos encargos cotidianos… Projetava minha realização pessoal para um tempo muito remoto.

Naquele ilusório presente o importante era ganhar muito dinheiro, ser uma profissional bem-sucedida e esbanjar status. Passei anos da minha vida correndo atrás do vento que me trouxe até aqui.

De fato estou livre de todas as maquiagens mentais, fardos e cabrestos da vida. Finalmente cheguei aonde tanto queria! Posso ver claramente como tudo nesta vida é vaidade e aflição de espírito. Já tenho sabedoria suficiente para não levá-la tão à sério. Mas agora é tarde… não tenho saúde.

* Envergonho-me de ter reservado para mim apenas as sobras da vida e destinar à meditação esta idade que já não serve para nada. Tarde começo a viver… justo agora que é hora de partir. *

Mais do que nunca sinto o cheiro da morte a me sondar e ele me enche de encanto pela vida. Bebo cada dia até a última gota, rio e choro como uma criança, canto alto e falo “bom dia” para todos na rua.

Não tenho nada a perder.

[Monique Antunes]

Armadilhas

No mundo há muitas armadilhas
e o que é armadilha pode ser refúgio
e o que é refúgio pode ser armadilha

Tua janela por exemplo
aberta para o céu
e uma estrela a te dizer que o homem é nada

ou a manhã espumando na praia
a bater antes de Cabral, antes de Tróia
(há quatro séculos Tomás Bequimão
tomou a cidade, criou uma milícia popular
e depois foi traído, preso, enforcado)

No mundo há muitas armadilhas
e muitas bocas a te dizer
que a vida é pouca
que a vida é louca

E por que não a Bomba? te perguntam.
Por que não a Bomba para acabar com tudo, já
que a vida é louca?

Contudo, olhas o teu filho, o bichinho
que não sabe
que afoito se entranha à vida e quer
a vida e busca o sol, a bola,
fascinado vê o avião e indaga
e indaga

A vida é pouca
a vida é louca
mas não há senão ela.

E não te mataste, essa é a verdade.
Estás preso à vida como numa jaula.
Estamos todos presos
nesta jaula que Gagárin foi o primeiro a ver
de fora e nos dizer: é azul.

E já o sabíamos, tanto
que não te mataste e não vais
te matar e agüentarás até o fim.

O certo é que nesta jaula há os que têm
e os que não têm há os que têm tanto que
sozinhos poderiam alimentar a cidade
e os que não têm nem para o almoço de hoje

A estrela mente
o mar sofisma. De fato, o homem está
preso à vida e precisa viver o homem
tem fome e precisa comer
o homem tem filhos
e precisa criá-los

Há muitas armadilhas no mundo e é preciso quebrá-las.

[Ferreira Gullar]

Escolhas… Há muitas escolhas para se fazer nesta vida. Se você não sente que isto é verdade para você, espere uns poucos anos. Cada decisão precisa ser pesada na escala das implicações positivas e negativas.

A maioria das pessoas trata o render-se a Jesus Cristo como se fosse uma escolha do tipo das anteriores na vida. Elas pesam em sua escala e determinam seus efeitos negativos em oposição aos positivos e decidem concordemente. “Não é muito producente para minha popularidade”, alguns podem dizer. Outros podem dar a seguinte razão: “há tanto ainda para se viver! Vou fazer isso quando for um velho antiquado e não tiver muita coisa que valha mais a pena na vida”. E outros ainda são fortes ao exclamarem: “Não preciso de Jesus! Estou vivendo muito bem por mim mesmo!”

Escolhas são sem dúvida um presente maravilhoso de Deus. Com certeza, não somos robôs que não têm escolha própria. Mas render sua vida a Jesus Cristo não é simplesmente mais uma escolha com um significado temporário.
De acordo com a Palavra de Deus, todos nascemos pecadores [“porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” – Rm 3:23]. Temos todos um desejo natural de nos opormos a Deus para sermos nós mesmos deuses.

Deus nos amou tanto, que levou sobre Si mesmo as conseqüências de nosso pecado. Ele fez isto enviando Seu Filho Jesus para morrer em nosso lugar. Deus andou na Terra literalmente vestido em nossa humanidade com o único propósito de entregar Sua vida e sofrer por nosso pecado. Ele levou sobre Si mesmo a punição que nós merecíamos. Quando completou esse serviço através de Sua morte, então Ele, pelo Espírito poderoso de Deus, foi levantado da morte.

Agora nós temos um meio de encontrar a salvação. Na Bíblia isso é denominado de “porta estreita”. Essa porta estreita é Jesus Cristo e somente Jesus Cristo. Voltar-se para Jesus é o único caminho para se estar bem com Deus. Tantas outras religiões têm seus caminhos e fórmulas. As pessoas são totalmente sinceras ao praticá-las, mas no final sua sinceridade não as salvará.

Deus é tão grande que nossas mentes não podem chegar perto da compreensão de Sua magnificência. Este grande e poderoso Deus tornou-se real e pessoal para nós através de Jesus. Com Seus braços abertos Ele espera que nos acheguemos a Ele… Ele alegra-se em nós e Ele tem vontade de relacionar-se conosco! Ele adora quando conversamos com Ele e expressamos nossos sentimentos e questionamentos…

Jesus Cristo merece sua vida. Ele deu tudo por você… Ele já escolheu você. Arrisque, ouse pôr sua vida nas mãos mansas e fortes de Deus, como se põe um pedaço de barro nas mãos do oleiro! Pare de tentar moldar a si mesmo… Permita que Deus, com Sua grande capacidade e amor modele você. Quando você conhece Jesus, você finalmente descobre Sua perfeita fidelidade em sua vida! Uma vez que você tiver encontrado com o Rei do Universo, você jamais será o mesmo.

“São as palavras mais silenciosas que trazem a tempestade. Os pensamentos com pés de veludo dirigem o mundo.”

[Nietzsche]

O segredo da felicidade

O segredo de ser feliz é ferozmente perseguido por todas as gentes, nos quatro cantos da terra.

Ao longo dos dias da vida, porém, muitas coisas vêm quebrar esta busca, desanimando uns, fraturando a alma de tantos, descarrilhando o coração de outros, nessa montanha-russa de sentimentos, emoções, vontades e vivências que todos possuem dentro de si.

Somos um ministério missionário e vivemos da obra, colabore! Invista em missões sem gastar nada!

Entre perdas e ganhos, dores e alegrias, ainda persevera essa busca: Onde está a felicidade? Ela existe? Afinal, em meio a tantas lutas, qual é o segredo de ser feliz?

Este segredo tem sido descoberto por inúmeras gentes de toda raça, tribo, língua, povo e nação.

Em toda terra, este segredo tem sido compartilhado, este segredo tem sido vivido, este segredo tem sido cantado nas praças, nas casas, nos prédios, nas ruas… já não é mais segredo! Mas, também não é uma fórmula mágica, e não se compra com dinheiro ou tesouros.

O segredo de ser feliz é viver na Presença do Deus Eterno! Ser feliz é viver e andar debaixo de Sua graça, por Sua Palavra, se rendendo e dependendo absolutamente do Seu Precioso Espírito Santo!

A mais pura adoração nos tira das margens do rio para nos fazer adentrar nas profundezas do Espírito Santo: águas vivas que saciam nossa sede, e curam, reanimam e nos fortalecem.

Orar e adorar a Deus é a essência da felicidade; por este caminho conhecemos a intimidade de Seu coração, e daí extraímos virtude, cura e poder de Deus. Seja feliz!!!

[Ludmila Ferber - http://www.adoracaoprofetica.com.br]

O culto a Deus sem ansiedade

Vivemos em uma sociedade ansiosa. Uma nuvem de ansiedade que envolve o mundo hoje.

Vemos pessoas ansiosas, com um coração ansioso, cheio de dúvidas.

Vivemos na geração da ansiedade. Isto muitas vezes se translada com força aos princípios básicos da igreja. Temos conhecido um Deus que tem tempo para tudo, mas queremos que tudo aconteça agora!

Nossas reuniões tem um tempo para começar e outro para terminar. E muitas vezes o tempo em que damos culto a Deus, é um tempo cheio de ansiedade.

Por exemplo, se em uma reunião deixamos os microfones de lado e não há nenhuma pessoa dirigindo desde a frente, dizendo: “levanta a mãos, aplaude, canta…” ou se alguém diz: “Vamos ouvir a Deus” e há um silêncio prolongado, quanto tempo podemos agüentar?

Quando estamos adorando ao Senhor com nossos corações abertos em sua presença, sentindo unidade com o Espírito Santo, abrindo nossas vidas e nossos lábios, não vai faltar alguém que acabe com tudo isso porque há muito o que fazer. Isso é ansiedade.

O mesmo acontece em nossa vida pessoal quando adoramos ao Senhor em nosso quarto, a sós, em intimidade verdadeira e plena com Deus. Quanto tempo dedicamos sem começar a pedir, pedir, pedir?

Para aprender o que é a verdadeira adoração, o espírito de ansiedade tem que sair da vida da igreja e de cada um de nossos corações, para que o Senhor possa desenvolver uma verdadeira intimidade conosco através do seu Espírito.

Como se chega a ter intimidade com uma pessoa?

Quando eu conheci a Rosana, minha esposa, passava tempo com ela. Muitas vezes somente a olhava. Conhecer uma pessoa leva tempo.

A intimidade com o Senhor também leva tempo. A verdadeira adoração, que Deus quer fazer brotar em nós como igreja, leva tempo. É um tempo precioso e valioso que Deus quer desenvolver em nós como igreja, como família, como corpo, como congregação, como líderes do louvor, como músicos. Todos nós devemos desenvolver esta comunhão com o Senhor.

Para muita gente a adoração é um pequeno tempo de música. Para outros é um estilo de música. Crêem que há um irmão que se dedica as canções de louvor e outro que se aboca as de adoração. Pensam que existe um tipo de louvor e outro de adoração, uns músicos de louvor e outros de adoração. Mas Jesus disse em João 4:23 (este é um texto muito conhecido por todos, muito lembrado pela restauração, mas vivido por poucos).

“Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores, adorarão o Pai em espírito e em verdade: porque são estes que o Pai procura para seus adoradores.” Deus busca adoradores.Deus quer ensinar-nos nestes dias a sermos adoradores que o adorem em espírito e em verdade.

A vida de adoração é algo que encontra seu fundamento no interior, não no exterior. A verdadeira adoração que o Pai deseja não é algo produzido de fora para dentro, sim de dentro para fora.

Por isso Deus quer tirar a ansiedade da igreja para que em nosso interior se possa produzir esta verdadeira adoração.

[Asaph Borba - http://www.pontesdeamor.com.br]

“O que agora vemos é como uma imagem imperfeita num espelho embaçado, mas depois veremos face a face.

Agora o meu conhecimento é imperfeito, mas depois conhecerei perfeitamente, assim como sou conhecido por Deus.”

[1 Co. 13:12]

Do tamanho de Deus…

“Todo homem tem dentro de si um vazio do tamanho de Deus.”

[Dostoievski]

Não olhe muito para o abismo
senão o abismo começa a olhar
para dentro de você.

Sabedoria

Adquire a sabedoria; adquire inteligência e não te esqueças nem te apartes das palavras da minha boca. Não desampares a sabedoria, e ela te guardará; ama-a e ela te conservará.

A sabedoria é a coisa principal; adquire pois, a sabedoria; sim com tudo o que possuis, adquire o conhecimento. Exalta-a e ela te exaltará; e abraçando-a tu, ela te honrará.

(Provérbios 4:5- 8)

“Entrem pela porta estreita porque a porta larga e o caminho fácil levam para o inferno, e há muitas pessoas que andam por este caminho. A porta estreita e o
caminho difícil levam para a vida, e poucas pessoas encontram esse caminho.”

(Mateus 7:13-14)

“ Eu não faço nada por obrigação, eu faço por impulso de vida.”

{Walt Whitman}

“Segue o teu destino, rega as tuas plantas, ama as tuas rosas. O resto é a sombra de árvores alheias.”

{Fernando Pessoa}

Alegria fora de hora

Aprendendo a lidar com dificuldades e tribulações

Tiago, irmão de Jesus, escreveu uma carta aos cristãos que estavam sofrendo perseguição. Eles haviam sido expulsos de Jerusalém e deixado para trás seus bens, familiares e amigos. Estavam começando vida nova em outro lugar, e precisavam construir novos relacionamentos, redefinir sua carreira profissional e ainda por cima se defender dos ataques daqueles que se opunham à sua fé em Jesus Cristo.

Um dos conselhos de Tiago para aqueles cristãos em situação tão adversa foi que deveriam receber com alegria as tribulações e provações que a vida colocava diante deles:

Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma. (Tiago 1.2-4)

Tiago justificou seu conselho apresentando três conseqüências das tribulações.

As tribulações provam a nossa fé, isto é, revelam a qualidade dos alicerces onde construímos nossas vidas. Outra maneira de dizer isso é que as tribulações nos mostram quem de fato somos. Muitas pessoas vivem iludidas em relação a si mesmas, e por esta razão constroem suas vidas em alicerces falsos - e vice-versa. Cedo ou tarde estes alicerces são desmascarados e tudo o que está sobre eles pode ruir, como por exemplo: auto-estima, esperança, prazer de viver, relacionamentos, sonhos de futuro, carreira profissional. As situações da vida que confrontam nossos alicerces existenciais são de fato oportunidades extraordinárias para nos reinventarmos, tanto substituindo o que identificamos como inadequado, quanto no desenvolvimento do que identificamos frágil.

As tribulações produzem perseverança, isto é, nos fortalecem para enfrentar a vida. O ditado popular diz que “Deus dá o frio conforme o cobertor”. Acredito nisso. Acredito que o exercício de viver nos coloca diante de desafios proporcionais à maturidade. Uma é a dificuldade da criança, outra, do adolescente, e outra, dos adultos que já não acreditam em Papai Noel e já deixaram a prepotência juvenil de lado. As dificuldades que enfrentamos no caminho nos ajudam a encarar a vida e continuar andando rumo ao futuro desejado. À medida que vamos encarando e superando as tribulações, vamos perdendo o medo de cara feia, até que a vida mostra sua face mais terrível e se surpreende com nossa capacidade de superá-la.

Finalmente, as tribulações nos fazem pessoas maduras e íntegras, sem falta de nada. Atravessar tempos difíceis exige de nós a descoberta e o desenvolvimento de recursos interiores. As tribulações nos tiram todos os pontos externos de apoio: nos sentimos solitários, incompreendidos e injustiçados; perdemos posição, status e privilégios, além de dinheiro e conforto; e descobrimos que as bases onde escorávamos nossa identidade e as fontes de onde tirávamos forças para viver eram falsas ou insuficientes. Nesse momento, olhamos para dentro e para o alto. E descobrimos uma fé mais amadurecida, que nos aproxima mais de Deus, e recebemos a coragem de continuar vivendo. Estranhamente, vamos percebendo que precisávamos de bem menos do que imaginávamos para a nossa felicidade, até que surpresos, nos deparamos com a sensação de que muito embora o mundo lá fora esteja em convulsão, o mundo de dentro do coração, está em paz e serenidade. Quando chegamos nesse ponto de integridade (integralidade) é que passamos a desfrutar dos poucos recursos, dos amigos raros e das pequenas alegrias do dia-a-dia como suficientes para a felicidade. Aí sim, somos homens e mulheres de verdade. Construídos na forja das tribulações. Livres das ilusões. Prontos para viver, dar e construir.

[artigo extraído do site Galilea.com.br]

“Se eu puder ajudar alguém a seguir adiante

Se eu puder animar alguém com uma canção

Se eu puder mostrar a alguém o caminho certo

Se eu puder cumprir meu dever cristão

Se eu puder levar a salvação para alguém

Se eu puder divulgar a mensagem que o Senhor deixou…

Então, minha vida não terá sido em vão.”

[Martin Luther King]

Vencer o mal

“Acho difícil conceber uma maneira mais concreta de amar do que a de orar pelos inimigos. Isso conscientiza você do fato de que, aos olhos de Deus, você não é mais, nem menos, digno de ser amado do que qualquer outra pessoa; e cria uma consciência de profunda solidariedade com todos os outros seres humanos. Cria em você uma compaixão que inclui o mundo e lhe provê um coração cada vez mais livre do compulsivo desejo à coerção e à violência. Além do mais, você ficará encantado ao constatar que não pode continuar com raiva das pessoas pelas quais você ora. Você perceberá que está falando diferente com - e sobre - elas, e que realmente está disposto a fazer o bem àqueles que o ofenderam.”

[Henri Nouwen]

A oração simples

Não existe oração errada. Aliás, a oração errada é aquela que não é feita. A Bíblia Sagrada ensina que se deve orar a respeito de tudo. Orar por qualquer motivo, qualquer hora, qualquer lugar, sempre que o coração não estiver em paz. Tão logo o coração experimente apreensão, preocupação, medo, angústia, enfim, seja perturbado por alguma coisa, a ação imediata de quem confia em Deus é a oração.

O apóstolo Paulo diz que não precisamos andar ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, com ação de graças, devemos apresentar nossos pedidos a Deus, tendo nas mãos a promessa de que a paz de Deus que excede todo o entendimento, guardará nossos sentimentos e pensamentos em Cristo Jesus (Filipenses 4.6,7). A expressão “coisa alguma” inclui desde uma vaga no estacionamento do shopping center quanto o fechamento de um negócio, o desejo de que não chova no dia da festa quanto a enfermidade de uma pessoa querida.

Esta experiência de oração é chamada de oração simples: orar sem censura filosófica ou teológica, orar sem se perguntar “é legítimo pedir isso a Deus?” ou “será que Deus se envolve nesse tipo de coisa?”. Simplesmente orar.

A garantia que temos quando oramos assim é a paz de Deus em nossos corações e mentes. A Bíblia não garante que Deus atenderá nossos pedidos exatamente como foram feitos: pode ser que a vaga no estacionamento não seja encontrada e que chova no dia da festa. A oração não se presta a fazer Deus trabalhar para nós, atendendo nossos caprichos e provendo o nosso conforto. Já que a causa da oração simples é a ansiedade, a resposta de Deus é a paz. O resultado da oração não é necessariamente a mudança da realidade a respeito da qual se ora, mas a mudança da pessoa que ora. A mudança da situação a respeito da qual se ora é uma possibilidade, a mudança do coração e da mente da pessoa que ora é uma realidade. Deus não prometeu dizer sim a todos os nossos pedidos, mas nos garantiu dar paz e nos conduzir à serenidade. Não prometeu nos livrar do vale da sombra da morte, mas nos garantiu que estaria lá conosco e nos conduziria em segurança através dele.

O maior fruto da oração não o atendimento do pedido ou da súplica, mas a maturidade crescente da pessoa que ora. Na verdade, a estatura espiritual de uma pessoa pode ser medida pelo conteúdo de suas orações. Assim como sabemos se nossos filhos estão crescendo observando o que nos pedem e o que esperam de nós, podemos avaliar nosso próprio crescimento espiritual através de nossos pedidos e súplicas a Deus. As orações revelam o que realmente ocupa nossos corações, o que realmente é objeto dos nossos desejos, o que nos amedronta, nos desestabiliza e nos rouba a paz.

O apóstolo Paulo diz que quando era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Mas quando se tornou homem, deixou para trás as coisas de menino (1Coríntios 13.11). Não existe oração certa e errada. Mas existe oração de menino e oração de homem. Oração de menina e oração de mulher. A diferença está no coração: coração de menino e de menina, ora como menino e menina. A nossa certeza é que Deus também gosta de crianças.

[Ed René Kivitz]

Amor líquido

Como viver num mundo de parcerias frouxas e eminentemente revogáveis

Zygmunt Bauman é considerado hoje um dos sociólogos mais influentes do mundo. Professor emérito de sociologia na Universidade de Leeds e na Universidade de Varsóvia, seu livro mais recente é “Amor Líquido - Sobre a Fragilidade das Relações Humanas” (Rio de Janeiro: Jorge ZAHAR Editor, 2003) de onde tirei os conceitos e extraí citações para estas reflexões.

A tese de Bauman é que vivemos em um mundo líquido, que detesta tudo o que é sólido e durável, tudo que não se ajusta ao uso instantâneo nem permite que se ponha fim ao esforço. O amor, nesse mundo líquido, é amor líquido. A tirania do mercado explica em parte esta característica rarefeita de tudo. Estamos na era do homo consumens. O que caracteriza o consumismo não é acumular bens (quem o faz deve também estar preparado para suportar malas pesadas e casas atulhadas), mas usá-los e descartá-los em seguida a fim de abrir espaço para outros bens e usos.

Estar excluído da sociedade de consumo equivale a ser um fracassado, um incompetente. Um consumidor falho fica se utilizando dos mesmos bens, e a utilização repetida o priva da possibilidade de sensações novas e inéditas. Isso os leva ao tédio e à frustração. Ser bem sucedido é conviver com novidades, variedades, e rotatividade.

Daí surge a cultura do aluguel e do descartável (e por isso mesmo mais barato). Nesta sociedade líquida, você não compra, aluga. Comprar implica posse e permanência. Alugar implica rotatividade sem ônus. O descartável pode ser facilmente substituído sem muito prejuízo: vale a relação custo benefício, ou tempo de benefício. No mercado, tudo está ao alcance do cartão de crédito, e a distância entre o desejo e sua satisfação está cada vez mais curta. E, portanto, o descarte cada vez mais rápido. A experiência sexual e relacional segue o mesmo padrão e raciocínio. Seu parceiro pode abandonar você a qualquer momento, sem o seu consentimento.

Anthonny Giddens, outro célebre analista da chamada pós-modernidade, fala dos “relacionamentos puros”, onde as relações permanecem enquanto satisfazem as partes. São relacionamentos nos quais se entra apenas pelo que cada um pode ganhar e se permanece apenas enquanto ambas as partes imaginem que estão proporcionando a cada uma satisfações suficientes para permanecerem nas relações. Viver juntos é “por causa de” e não “a fim de”. Enquanto há razões a parceria permanece. Os parceiros já não se enxergam como construtores de si mesmos, um do outro e da própria parceria.

Parcerias frouxas e eminentemente revogáveis substituíram o modelo da união pessoal “até que a morte nos separe”. Bauman chama isso de “relacionamentos de bolso”, que compara com vitamina C: em grandes doses podem causar náuseas e prejudicar a saúde. Por esta razão, a “sociedade líquida” prefere os relacionamentos diluídos, para que possam ser aproveitados. Os compromissos intensos e de longo prazo são uma armadilha a ser evitada. O compromisso fecha a porta para novas possibilidades (quem sabe, até melhores). Mantenha sempre sua porta aberta, dizem os “especialistas”.

Viver juntos foi substituído por ficar juntos. A convivência foi substituída pelos encontros episódicos. O casamento foi substituído pela sucessão de romances com sexo. O divórcio foi substituído pelos CSS - casais semi separados. As amizades foram substituídas pelas salas de chat e as redes, onde se pode conectar e desconectar sem qualquer compromisso, promovendo relações fantasiosas ou profundas protegidas pelo anonimato. Ralph Waldo Emerson acertou ao afirmar que “quando se é traído pela qualidade, tende-se a buscar desforra na quantidade”.

Na compulsão de tentar novamente, e obcecado em evitar que a atual experiência sabote a futura, ou sempre em expectativa de que o melhor está por vir e que há sempre algo melhor pelo que esperar, as pessoas acabam desaprendendo o amor, tornam-se incapazes de amar. A sensação de que se pode ser abandonado, substituído a qualquer momento impede a entrega total, e porque não se entrega totalmente, o amante parcial vive com a constante sensação de que está vivendo um equívoco, ou que está esquecendo algo, ou deixando de experimentar alguma coisa. Isso faz com que o amante parcial viva carregado de ansiedade. E, pior do que isso, está condenado a permanecer para sempre incompleto e irrealizado. Bauman diz a respeito que estão “numa viagem nunca termina, o itinerário é recomposto em cada estação, e o destino final é sempre desconhecido”.

A resposta cristã para esta “sociedade líquida” que vive de “amores líquidos” deve considerar, pelo menos, três fatos. Em primeiro lugar, lembre-se que o amor encontra seu significado, não na posse das coisas prontas, completas e concluídas, mas no estímulo a participar da gênese dessas coisas. Martinho Lutero nos adverte que “o amor de Deus não se destina ao que vale a pena ser amado, mas cria o que vale a pena ser amado”. Em outras palavras, não espere pessoas prontas, caminhe com elas rumo à maturidade.

Lembre-se também que o amor não é um caminho de satisfação, mas de transformação e realização. Hans Burki ensinou que “mais da mesma coisa nos deixa no mesmo lugar”. Em outras palavras, quando seu relacionamento não estiver satisfatório, não mude parceiro ou parceira, mude o relacionamento.

Finalmente, lembre-se que o amor não é um episódio, mas uma caminhada comum. Não acontece na relação superficial, esporádica, virtual, meramente física, mas num relacionamento de proximidade que conduz à intimidade em direção à profundidade do ser que ama (dos seres que se amam). Em outras palavras, não confunda paixão e sexo com amor.

A sociedade anticristã não vive da negação do que é cristão, mas da deturpação. Para deturpar, você priva, exacerba (exagera) ou distorce. O amor líquido é uma falsificação do amor sólido. Isto é, para conspirar contra o amor, o diabo não precisa semear o ódio (a maioria rejeita), basta semear o amor líquido. A sociedade líquida está iludida. Carece de gente que viva relacionamentos de “amor sólido” para que conheça a verdade e seja liberta de sua ilusão.

[Ed René Kivitz]

Seja importante para pelo menos uma pessoa, com quem você possa se imaginar em qualquer lugar, ou em qualquer situação, saindo sempre com um sorriso no rosto. Faça pelo menos uma pessoa feliz, seja inesquecível para pelo menos um coração, faça os olhos de pelo menos uma pessoa brilharem ao te ver sorrir. Descubra o que realmente importa e viva sem medo, com a certeza de que nunca estará sozinho.

[Monique Antunes]

Seis da Tarde

Quando eu olho pra mim mesmo, meus olhos não podem contemplar
meu coração tão duro e sujo, com medo de Te encontrar…
Quando minh’alma se acalma posso sentir o Teu tocar,
como as nuvens passeiam no céu,
Teus olhos estão a me procurar… Senhor!

Eu estou aqui, no Teu jardim oh Deus!
Estou aqui, não quero mais me esconder de Ti!
Eu estou aqui